Vou apertar, mas não vou acender agora
Oh! Iolanda, eu te amei
Foste para mim tão cruel
Passei tantos tormentos por ti mulher
Tu foste tão infiel
Quero te ver na rua
com saco nas costas
apanhando papel
(Bezerra, inspiradíssimo!)
Que merda ensinar, seus patifes de uma figa: Milanês, de Pablo; Bezerra, o da Silva.
Aliás, abre aspas: esses tantos acadêmicos borra-botas, cheio de firulas e filosofias furadas, citando Kant, Paine, Nietzsche e o caralho, cheio de não-me-toques, voz de veludo, coisa-e-tal – metidos a Holiday-Baker -, são humilhados pelo malandro semi-analfabeto. Cartola faz escola na terra brasilis e Deus é meio irresponsável, eu diria. Fecha aspas.
De novo: Holiday, de Billie. Baker, de Chat. Não sou Porfírio, mas dou minhas cacetadas!
Cabeça vazia, oficina do diabo
Estava eu retirando a poeira do lado b da memória. Ótimo aquecimento:
Peckinpah: eu quero a cabeça de Alfredo Rodriguez!(Bring me the head of Alfredo Garcia). Sam era um índio com uma espinha de peixe entalada na garganta.
Wilder: vou arriscar: testemunha de acusação (Witness for the prosecution). Aula de Sir Charles Laughton.
Pontecorvo: (Quemada!) dois gigantes: Gillo e Brando [porra, Pontecorvo não tem lado b!]; o disco arranhou: Gillo não tem lado b… Gillo não tem lado b… Gillo não tem…
Ridley: (The duellists) os duelistas, sem dúvida; depois aconteceu o que aconteceu.
Hitchcock: um barco e nove destinos (lifeboat), o menos óbvio, o mais intenso; uma aula do mestre (o sonho dos cineastas mixurucas made in Pindorama com pouca grana: nenhuma locação, meia dúzia de atores, orçamento pífio, et cetera, et cetera).
Coppola: Rusty James e o selvagem da motocicleta (Rumble Fish) [a transliteração é lastimável]; quer mais cool? Impossível… Foi assim que consumi maços de Camel e indevassáveis óculos Ray Ban. Hoje não mais.
Depois lembro mais. Estou que não me agüento.
Jorge Osório e a Tropa de Choque Globeleza
“E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.”*
Fosse hoje, o tal Jorginho seria um desses funcionários de feição amarfanhada, terno rigorosamente mal justo, físico de barril, óculos na ponta do nariz de olhos quase vazios e um irritante desdém:
- (…) Eu queria mesmo a certidão negativa de…
- (…) Faltam cópias do registro de… Autenticados em três vias… Reconhecimento de firma, tal-e-coisa, coisa-e-tal…
- (…) Mas…
- (…) Infelizmente, são os procedimentos padrão… Normas da casa…
- (…) É que eu moro lá em… Falta-me condução daquele fim-de-mundo e…
- [Sorriso sádico, quase vingativo] (…) quarta-feira, três e meia… (…) (…) o próximo…
Resumo: um dos males do Brasil contemporâneo foi o Jorge Osório voltar de São Tomé.
Update: enquanto isso, começou a Operação Ronaldo-Globeleza, outra mazela em Pindorama; engraçado… No tempo do Josimar, o bólido negro pela lateral esquerda do professor Telê, não havia esta tropa de choque. E olha que o Josi só deu uns catiripapos numas putinhas folgadas depois de umas-e-outras, coisa pequena minzinfi. Noves fora o Ronaldo em si, esta hipocrisia pasteurizada dá azia em caminhão de boldo.
Eita nóis!
*A carta de Pero Vaz.
Não é para colorir
Meio caminho do frio da caverna ao silencioso hiper-espaço… Talvez derrubando meu muro de Berlin…
Boas notícias: Speddy Racer go, go. Qualquer dia National Ki-iii-dô.
Sessão bumerangue: Johnny Quest, faz favor! Sim-salabim.
Eu e meus Incas Venusianos…
Estes hiatos meta-linguísticos tem reverberações macroeconômicas e oscilações astrológicas, além – claro – das urgências profissionais e intra-uterinas. Sou de fases. Melhor: minha vida ultimamente é geoprocessada pela Folhinha de Mariana.
Sobre a tal “Folhinha”: quem não é da gema há de dificuldade ter.
Schincariol, Eisenbahn… Quero uma Devassa estupidamente gelada. Ou não.
O mundo esperando um arroubo psicográfico e eu copiando moda. Eita nóis!
A pergunta que não quer se calar: que é que tem o Ronaldo cair na esbórnia, mizimfim?…
Daqui a pouco o puritanismo conservador anglo-saxão made in uncle Sam vai baixar nestes trópicos e aí eu quero ver – fariseus de uma figa -, vamos todos arder na laje do inferno… Nem a lambida na revista de sacanagem, nem a punhetinha básica. Só depois do sim e olhe lá. Tomou papudo!
Ah! Cuá.
A Montanha dos Abutres ou O Grande Carnaval
Com propriedade, Ignácio Ramonet <aqui> vaticina o desastre iminente da informação, culpa exclusiva de seus artífices. Informação é como poesia que pertence aos passarinhos ou de quem dela precisa. O Estado é cúmplice e vítima da notícia, a Igreja é cliente quando seus interesses não estão em questão, “uma coisa é verdade… mesmo que seja mentira”. Mas a culpa é exclusivamente da mídia. Outras vezes adverti aqui sobre a política da desinformação, da censura velada do governo – escancarada, no meu entender -, dos procedimentos espúrios dos donos da verdade – leia-se Globo, leia-se Veja, leia-se os jornalões, leia-se et cetera e tal. Mais de uma vez adverti que compensa conferir o peixe antes do embrulho. Acontece que a globalização foi um tiro no pé da Grande Imprensa Brasileira, notícia virou lixo reciclável, jornal virou papel higiênico. Vejam o caso da menina. Polícia e a justiça devem cumprir o seu papel, os culpados serão punidos e esquecidos certamente, inclusive pela mídia. Entretanto aqui, triste figura a da Imprensa: são os abutres citados por Carlos Brickman <aqui>, lembrando bem o filme de 51; aliás, um título apropriado para o caso, tanto o original quanto a transliteração. Salvo engano, quando acabou o carnaval, o circo desapareceu, a mulher infiel desapareceu, o padre disse amém e a esperança ficou soterrada com o infeliz mineiro. Morreu inclusive a consciência tardia, vítima de sua própria omissão. Lembra também o José – de Drummond – depois que tudo acabou, perguntado para onde?… Para onde?…
Para o leitor esperto deste hebdomadário, que teve paciência de ler os citados artigos, saravá e vamos em frente! Não é preciso acreditar nem mesmo quero gente apressada no meu bonde. Como dizia Catita, minha cadela que fala javanês fluente e fuma charuto fedorento, “precisamos urgente de uma quinta opinião”… Yes.
Se der, veja o filme. Billy Wilder na veia.
Festa no AP
No terceiro ano de publicação deste hebdomadário cibernético, podemos fazer um balanço altamente positivo da nossa prosopopéia:
Na fase .zip.net – 5,3 mil visitas; o caso Alcinéia precipitou minha saída, apesar de manter ainda hoje a conta no uol; qualquer dia eu defenestro o dito cujo; que importa-me lá!
Na fase .com.br – que abandonei somente pela minha impaciência com os spams; foram mais de 5 mil visitas; e dá-lhe spams;
Atualmente wordpress.com – 15 mil visitas, até a data de hoje; 555 spams devidamente detectados pelo askimet;
Contabilizando as visitas, mais de 25 mil curiosos (!) Gente bisbilhoteira, benza’Deus;
Para quem comentou, meus sinceros agradecimentos; para quem não comentou, meus sinceros agradecimentos também; para quem fez menção de comentar e desistiu, idem, idem;
Como dizem: eu podia “estar matando”, eu podia “estar roubando”…
Mantenho este espaço na blogosfera por um único motivo: por vício, por dependência química. Não faço nada por hábito, que é coisa de psicopata. No resto do tempo bebo cachaça, converso com amigos, canto, danço, participo de algumas jam-sessions (retretas), leio até jornal pegando fogo, faço sexo por amor com sacanagem, cuido da horta, das galinhas, do cachorro, et cetera e tal…
Normal. Acho que vou viver uns cem, na boa.
No mais, até ver. Sem mais spams.
Paparazzo
Cara maluco o Lucien Freud: gosta mesmo de um torresmo. E Sue Tilley virou celebridade no UK. Por isso que eu digo: rabada pode! Pé de porco pode! Dobradinha pode!
http://www.metro.co.uk/news/article.html?in_article_id=141278&in_page_id=34
Dicionário DOP
Procrastinador: (pro.cras.ti.na.dor) [ô]; sm. 1. Pessoa que procrastina, adia; 2 Pessoa lenta, morosa; a.; 3. Diz-se de qualquer dessas pessoas (burocrata procrastinador); [F.: procrastinar + -dor ]
Outro dia fui apresentado à ferramenta todoist <aqui> e percebi que sou deveras um dito cujo um tanto quanto. Importa-me lá…
Quadrangular final do campeonato mineiro: fico um tanto mais ainda procrastinador; o leitor que perdoe, um valor mais alto se alevanta! Às armas, Barões Assinalados! Vamos a Trapobana!
Ainda vou por o almanaque no ar! Aguardem! Eu procrastino, tu procrastinas, ele…
Quem futuca este hebdomadário sabe: reticências, interjeições, pleonasmos, hipérboles, onomatopéias, et ceteras e tal e coisas.
No meu dashboard, alguns motores de busca interessantes: “pênis preto grande”… Será que fui grampeado?
Sue batendo um bolão, Freud é demais exagerado! É ou não é?
Grandes Baluartes da Humanidade (I)
Compilei aqui algumas frases célebres do meu herói Aparício Torelly, o nosso Wilde dos trópicos. Dorme com um barulho destes, patuléia!
“Quando pobre come frango, um dos dois está doente.”
“O fígado faz muito mal à bebida.”
“Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.”
“Deus dá peneira a quem não tem farinha.”
“A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.”
“A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.”
“Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.”
“Cobra é um animal careca com ondulação permanente.”
“Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados. “
“Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.”
“Costureira decente não perde a linha.”
“O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.”
“Todo homem que se vende recebe muito mais do que vale.”
“Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.”
Para constar: Itararé é uma cidade paulista na fronteira com o Paraná; na Revolução de 30 as tropas legalistas – fiéis ao presidente Washington Luís – esperavam os revolucionários que vinham do sul sob o comando de Getúlio Vargas. Na hora “h”, os militares acertaram a deposição do presidente, tomando chimarrão, eu suponho. Portanto, Itararé ficou para a história como a “batalha que não houve”. Mordaz esse Aparício. Muito pitoresco.

