Lição de Mineirês (II): como preparar seu ora-pro-nobis sem baba
Primeiro: lobrobrô e ora-pro-nobis são exatamente a mesma coisa. Segundo o pai dos burros, ora-pro-nóbis é a “liana de até 10 m (Pereskia aculeata), da família das cactáceas, com espinhos recurvados, folhas lanceoladas, flores pálidas, em panículas terminais, e frutos bacáceos, nativa do Brasil (BA ao RS) e cultivada como ornamental e pelas folhas e bagas comestíveis”. Eu nem sabia que lobrobrô era cactus, bem que desconfiava. Do alto da minha prosopopéia, como um dos últimos baluartes da cultura culinária desta terra das alterosas, coloco aos leitores do DOP algumas dicas quentes para preparar esta iguaria:
(1) Não se prepara o lobrobrô em porções para 2 ou 4 pessoas, como reza a boa etiqueta; para início de conversa, separe a maior panela da cozinha; aliás, compre um caldeirão, um tacho de cobre enorme ou recipiente semelhante. Lobrobrô se come em casa cheia, muita cachaça, muito entrementes, cachorro abanando o rabo, vizinhos penetras, cunhados arados de fome, amigos do boteco, coisa e tal;
(2) Se for usar tacho de cobre, cuidado: melhor limpá-lo com limão ou vinagre para não envenenar esta gentalha: Gentalha! Gentalha! Gentalha!…
(3) Para colher as folhas do dito cujo – muita paciência! – junte esta parentalha e mãos à obra. Afinal, para comer tem que trabalhar. Além dos espinhos, lobrobrô não rende. Haja moita. Haja moita!
(4) Segredo: quanto menos água menos baba. Lave as folhas do lobrobrô e deixe secar, secar mesmo. Enquanto isso, faça o angu de moinho-d’água, o arroz branco, e mande buscar as cervejas. O lobrobrô é o último convidado da festa, entra nos finalmentes. Este negócio de refogar as folhas com alho e sal é coisa de amador, principiante.
(5) A carne para acompanhar o lobrobrô é um mero detalhe: tem gente que faz com frango caipira, outros com carne de porco, outros com costelinha; eu prefiro com coxinha da asa, como fazia a Rita que levou meu sorriso;
(6) Por fubá de moinho-d’água entende-se o fubá mineiro, da roça; nada de fubá mimoso, de prateleira; melhor comer isopor;
(7) Desconsidere qualquer prato com a cactácea referida dos festivais gastronômicos ou de louras oxigenadas da televisão; na dúvida, melhor fazer um miojo sabor pizza.
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Como se diz por aqui: não sobra nem pro cachorro. Créditos: imagem: desvendar.com >>>>> aqui

Sensacional, sô. Mas, uai, a receita num era de ora-pro-nobis? Tendi não. Quasqué modo isso vende do serve-serve? Ouro Preto é só o que tem agora…

Isso aí, amigão; é como eu disse “lobrobrô e ora-pro-nobis” são a mesma “foia”; um nome é coisa de escravo - a vó da minha vó Figena, p. ex.; ou outro é de padre que ‘panha as foia cantando ladainha. Um abraço…
Bacana, “supimpa” como diria meu tio João.
lobrobrô e ora-pro-nobis é tudo a mesma “foia”, também apelidada como Carne dos Pobres, pelos 25% de proteinas e mais um monte de coisas….
Abraços
Faz tempo que eu estava curiosa sobre o ora-pro-nobis, agora é só preparar…
Resposta: Aguarde! Em breve outras receitas deliciosas da culinária mineira. Volte sempre.