Notícias de Gotham City (I): Eu também CANSEI! (Ou não).
Dias desses enquadrei uma cena – como direi?: (…) (…) non sense. Motivo do desagravo: a movimentação de ônibus e caminhões pesados no centro histórico de Vila Rica; protagonistas: os mesmos de sempre; local: sob os olhos serenos de Francisco de Assis, no Largo do Coimbra; cena: estavam os ditos cujos deitados no meio da rua, como guerreiros de terracota a impedir a invasão dos incas venusianos ou do Homem-Lagosta-de-Marte, com o auxílio luxuoso da PM, dos padres, dos turistas, da patuléia desinibida, o escambau, com corda, com platéia, vivas, urras, abaixos, aquela algazarra de sempre; o repórter recebia os cuidados de uma maquiadora, decorava a pauta, ajustava o terno; enquanto isto, uma assistente da produção ensaiava os “cidadãos inconformados”, organizava os “manifestantes indignados”, colocava palavras de ordem na boca dos “descontentes”. Foi quando o “diretor” ou sei lá o quê gritou: “gravando!”. (…) Saiu no Jornal das sete, com reprise no jornal das oito, em rede nacional, uma beleza. Dir-se-ia, com mesóclise mesmo: população politizada, engajada nas causas públicas, consciente dos seus direitos! Bela lição de cidadania, de desprendimento e fervor cívico! Eita nóis!
Sei não. Este tal movimento CANSEI, cheio de patrícias e maurícios, cheio de celebridades e papagaios-de-pirata, está cheirando a super-produção globeleza. Em outros tempos eu chamaria de trem da alegria, hoje eu chamo de espetáculo pirotécnico; Tomate chama de “peido debaixo do cobertor”, Pé-Quadrado de “latomia”, “coisa de fresco”, com toda razão.
Enquanto isso, em Gotham City – digo, Vila Rica -, os ônibus e caminhões pesados continuam circulando para baixo e para cima, como nada tivesse acontecido…
