O Conto do Vigário ou O Manual do Otário Moderno
Segundo minha avó, todo dia sai um otário de casa. Otário é um brasilianismo – pasmem! – do tempo da República Cisplatina, herança de nossos hermanos. Baltazar buscaria outros impropérios: boca-aberta, jacu-de-galocha, calça-frouxa, et cetera e tal… Na arte de passar a perna, brasileiro é hour concour, não admira tantas ocorrências recentes nos aeroportos de Madri e Lisboa. Esta diáspora de mequetrefes assusta a comunidade européia, não bastasse o império otomano e as hordas beduínas do Saara. Está certo que exportamos mulatas e percursionistas – também -, nossa gente bronzeada que quer mostrar seu valor, mas o exagero da paranóia não tem precedentes. Viramos até alvo-em-movimento da Scotland Yard, é mole?
Parafraseando a música “(…) brasileiro clandestino, marijuana ilegal (…)”. Por aí vai…
Por outro lado, Didi Mocó celebrizou o vaticínio dizendo que quando o povo comenta ou foi ou é ou será. Ora bolas, desde que Pero Vaz pediu uma boquinha no trem da alegria, nós cataguases preferimos levar vantagem em tudo. Em tempos de Barack Obama, nada muda em Pindorama. Veja o leitor (todos os seis!), por exemplo mais um caso do pilantrismo tupiniquim <aqui>. Convenhamos que não existe novidade na falcatrua e no embróglio, mas que é pitoresco e mesmo burlesco lá isso é. Eu mesmo, nascido e criado entre as paróquias do Pilar e da Conceição – pedaço de chão onde nasceu também o conto-do-vigário, pois não -, não deveria estranhar, mas estranho. E ando um tanto arisco, confesso. Não tenho passagem marcada para a península ibérica, nem pretendo sair de casa tão cedo, devo salientar. Afinal, como dizia vovó, cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém.
Aconselhamos o leitor deste hebdomadário (todos os seis) que planeja sair de casa nas próximas vinte e quatro horas, a leitura <deste> inestimável guia do otário moderno, na falta de melhor dizer. E quando for sair, boa sorte e muito, muito juízo na cachola oca.
Mantra da semana: “não vou me enntregar à cobiça, não vou me entregar à cobiça, não vou…”