Diário de Ouro Preto

Ano III – Verbos no gerúndio, hipérboles, onomatopéias, acentos circunflexos e citações estapafúrdias: o genuíno e escalafobético Português de Pindorama. Eita nóis!

Lição de Mineirês (VII): A briga de galos

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Causo # 1

Aconteceu com o caixeiro-viajante representante comercial que após instalar-se no hotel, resolveu dar um passeio, para relaxar. Foi fácil descobrir que a cidadezinha não oferecia bons entretenimentos, a não ser dois ou três botecos bem fuleiros e uma rinha de galos na praça principal. Curioso, resolveu conferir a segunda opção. Inflamante é a palavra certa para descrever a reação do viajante, pois a briga estava literalmente pegando fogo e o nosso amigo se sentiu tamanhamente envolvido pela empolgação da platéia enlouquecida que resolveu apostar também. No calor, o nosso comerciante perguntou ao capiau que estava ali pitando seu cigarro de palha sossegado:

- E então parceiro… Qual galo é o bom, o branco ou o preto?

- O branco é o bom, com certeza – afirmou peremptório o capiau.

Nosso forasteiro resolveu apostar uma grana preta no galo branco. Deu-se que o galo preto quase matou o favorito, humilhou o branquelo na espora.

- E aí parceiro?… Você não falou que o galo branco era bom?

- Falar, eu falei: o galo branco é bom, muito bom… Mas o galo preto é mau, muito, muito mau!

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Causo # 2

Aconteceu lá pros lado de Varginha. Na encruzilhada, o motorista perguntou ao capiau que pitava seu cigarrinho de palha sossegado:

- Companheiro, esta estrada vai para São Paulo?

Ao que o capiau respondeu solerte:

- Se vai não sei, não senhor… Mas que vai fazer farta pra nóis, ah isso vai…

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Que lição podemos aprender com estes rápidos e preciosos opúsculos: (1) qualquer causo de mineiro sem o cigarrinho de palha é totalmente dispensável; (2) ao perguntar qualquer coisa sobre qualquer assunto para qualquer mineiro, seja específico, bem específico, muito específico. Captou?

Written by luizao

Abril 6, 2008 às 3:23 pm

Publicado em Periscópio

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