Lição de Mineirês (VII): A briga de galos
Aconteceu com o caixeiro-viajante representante comercial que após instalar-se no hotel, resolveu dar um passeio, para relaxar. Foi fácil descobrir que a cidadezinha não oferecia bons entretenimentos, a não ser dois ou três botecos bem fuleiros e uma rinha de galos na praça principal. Curioso, resolveu conferir a segunda opção. Inflamante é a palavra certa para descrever a reação do viajante, pois a briga estava literalmente pegando fogo e o nosso amigo se sentiu tamanhamente envolvido pela empolgação da platéia enlouquecida que resolveu apostar também. No calor, o nosso comerciante perguntou ao capiau que estava ali pitando seu cigarro de palha sossegado:
- E então parceiro… Qual galo é o bom, o branco ou o preto?
- O branco é o bom, com certeza – afirmou peremptório o capiau.
Nosso forasteiro resolveu apostar uma grana preta no galo branco. Deu-se que o galo preto quase matou o favorito, humilhou o branquelo na espora.
- E aí parceiro?… Você não falou que o galo branco era bom?
- Falar, eu falei: o galo branco é bom, muito bom… Mas o galo preto é mau, muito, muito mau!
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Causo # 2
Aconteceu lá pros lado de Varginha. Na encruzilhada, o motorista perguntou ao capiau que pitava seu cigarrinho de palha sossegado:
- Companheiro, esta estrada vai para São Paulo?
Ao que o capiau respondeu solerte:
- Se vai não sei, não senhor… Mas que vai fazer farta pra nóis, ah isso vai…
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Que lição podemos aprender com estes rápidos e preciosos opúsculos: (1) qualquer causo de mineiro sem o cigarrinho de palha é totalmente dispensável; (2) ao perguntar qualquer coisa sobre qualquer assunto para qualquer mineiro, seja específico, bem específico, muito específico. Captou?
