Diário de Ouro Preto

Ano III – Verbos no gerúndio, hipérboles, onomatopéias, acentos circunflexos e citações estapafúrdias: o genuíno e escalafobético Português de Pindorama. Eita nóis!

A Montanha dos Abutres ou O Grande Carnaval

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Com propriedade, Ignácio Ramonet <aqui> vaticina o desastre iminente da informação, culpa exclusiva de seus artífices. Informação é como poesia que pertence aos passarinhos ou de quem dela precisa. O Estado é cúmplice e vítima da notícia, a Igreja é cliente quando seus interesses não estão em questão, “uma coisa é verdade… mesmo que seja mentira”. Mas a culpa é exclusivamente da mídia. Outras vezes adverti aqui sobre a política da desinformação, da censura velada do governo – escancarada, no meu entender -, dos procedimentos espúrios dos donos da verdade – leia-se Globo, leia-se Veja, leia-se os jornalões, leia-se et cetera e tal. Mais de uma vez adverti que compensa conferir o peixe antes do embrulho. Acontece que a globalização foi um tiro no pé da Grande Imprensa Brasileira, notícia virou lixo reciclável, jornal virou papel higiênico. Vejam o caso da menina. Polícia e a justiça devem cumprir o seu papel, os culpados serão punidos e esquecidos certamente, inclusive pela mídia. Entretanto aqui, triste figura a da Imprensa: são os abutres citados por Carlos Brickman <aqui>, lembrando bem o filme de 51; aliás, um título apropriado para o caso, tanto o original quanto a transliteração. Salvo engano, quando acabou o carnaval, o circo desapareceu, a mulher infiel desapareceu, o padre disse amém e a esperança ficou soterrada com o infeliz mineiro. Morreu inclusive a consciência tardia, vítima de sua própria omissão. Lembra também o José – de Drummond – depois que tudo acabou, perguntado para onde?… Para onde?…

Para o leitor esperto deste hebdomadário, que teve paciência de ler os citados artigos, saravá e vamos em frente! Não é preciso acreditar nem mesmo quero gente apressada no meu bonde. Como dizia Catita, minha cadela que fala javanês fluente e fuma charuto fedorento, “precisamos urgente de uma quinta opinião”… Yes.

Se der, veja o filme. Billy Wilder na veia.

Written by luizao

Abril 15, 2008 às 11:01 pm

Publicado em Periscópio

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